Por
Mameto Mwanajinganga
@mwanajinganga
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Essa é uma pergunta recorrente que aparece para mim. A resposta mais técnica a ela é essa: as mulheres na Quimbanda estão entre os homens. Muito embora as mulheres tenha uma função «lunar» na Quimbanda, nada as impede de realizarem as mesmas tarefas pesadas que os homens realizam, cujas funções dentro do culto são «solares». Na verdade, toda dinâmica mágica dentro da Quimbanda depende do equilíbrio bem-sucedido entre as forças lunares (femininas) e solares (masculinas) do Cosmos. É por esse motivo que trabalhamos com Exu (o princípio ancestral masculino) e Pombagira (o princípio ancestral feminino). Na Revista Nganga e no site www.quimbandanago.com há diversos artigos e ensaios que explicam essa dinâmica de forças na Quimbanda. Para as mulheres que estão sempre me perguntando sobre isso, indico esse material de estudo para que compreendam de fato os papeis do homem e da mulher dentro da Quimbanda.
Assim, mesmo que homens e mulheres tenham funções naturais muito
bem estabelecidas dentro do culto, absolutamente todos têm que aprender a fazer
tudo. Por isso as mulheres também tocam atabaque, também desossam os animais
sacrificados, também carregam nas costas os bodes e cabritos etc., funções essencialmente
masculinas (solares). Mas mesmo imersas nessas funções masculinas, elas também
ou ao mesmo tempo, cuidam do entorno, têm atenção aos detalhes, cuidam das
crianças, cozinham a carne dos animais sacrificados etc., funções
essencialmente femininas.
As mulheres, naturalmente, são mais intuitivas e percebem detalhes
essenciais que os homens na grande maioria das vezes, não percebem. Então, por
conta de sua natureza lunar, a mulher está mais apta a, assim como a própria
terra fria e geradora, nutrir, gerar, cuidar e dar a estrutura que o trabalho
mágico necessita, germinando a semente plantada pelo homem. Esse é um movimento
circular de Pombagira com sua saia passivo-dinâmica: enquanto o Exu ara a terra
com seu tridente, Pombagira circula por sobre ela com sua saia nutrindo a terra
arada. Em outras palavras, as mulheres na Quimbanda são o importante e
fundamental sustentáculo do trabalho mágico.
Assim, se a mulher é o círculo, o homem é o ponto no meio do
círculo. Isso que é o trabalho lunar de cuidar do entorno, ou seja, circundar o
ponto. Mulheres são bruxas naturais! Suas capacidades, alinhadas em grande
medida com seus esforços quase exaustivos, que é o trabalho natural do círculo,
têm ou desenvolvem capacidades mágicas para muito além dos homens, como o voo noturno
(sabbath das bruxas) natural. As melhores técnicas para desdobramento
astral não são àquelas da exaustão física, seja lá qual o sistema de magia se
pratique? O trabalho dos homens, por outro lado, é solar, exige força bruta,
clareza e foco, rigidez, estabilidade e disciplina. O atabaque, por exemplo,
exige uma quantidade de força e rigidez que afeta a saúde do útero e, anos
nessa função, as mulheres podem desenvolver problemas sérios uterinos. Então,
mesmo que as mulheres possam ocupar as funções que os homens ocupam, e vice-versa,
porque na Quimbanda todos nós somos soldados, todos nós somos guerreiros, todos
nós fazemos tudo, as mulheres têm funções macro e microcósmicas específicas no
culto. Essas funções, adequadas a sua natureza lunar, propicia um melhor
desenvolvimento espiritual. Portanto, compreender a sua natureza e se alinhar a
ela no contexto da Quimbanda, quer dizer, ocupar o seu espaço específico, é
mais producente magicamente falando.